Escolha o segredo s, avance passo a passo e veja as 8 amplitudes de |x⟩ evoluírem sob Hadamard → oráculo → Hadamard até uma consulta bastar para descobri-lo.
Primeiro contato com algoritmo quântico? Comece por aqui. Cada parada é um mini-capítulo autocontido. Leia o resumo, expanda pro conteúdo estendido se quiser aprofundar. Concluídas as 10, o vocabulário e a intuição estão prontos pra navegar o resto da página sem tropeçar em notação.
Uma string secreta s de n bits está escondida
dentro de uma caixa-preta, o oráculo. Sua missão é descobrir todos os
bits de s fazendo o menor número possível de perguntas.
Oráculo é caixa-preta. Você não pode abrir e ler s
diretamente, só fazer perguntas na forma de estados de entrada e observar
a resposta. Uma consulta por chamada.
Clássico determinístico precisa de n consultas (uma por bit).
Clássico probabilístico também precisa de Ω(n).
Quântico exige 1 consulta, resultado exato com probabilidade 1.
Mini-dicionário para não tropeçar em notação. Se um símbolo aparecer sem tradução mais adiante, procure aqui primeiro. Cada um tem uma leitura em voz alta.
Cada linha do painel é um estado da base computacional, de |000⟩ até |111⟩. A onda desenhada em cima é a amplitude. Altura é magnitude, cor é sinal.
A ancila, preparada em |−⟩ = (|0⟩ − |1⟩)/√2, absorve a operação do oráculo. Mas o sinal (−1)f(x) é chutado de volta para o registrador principal.
Adiante, o mesmo processo aparece em diagrama de circuito. 3 fios do registrador principal + 1 fio da ancila, com portas atuando da esquerda para a direita: Hadamard, oráculo, Hadamard, medição.
Bernstein–Vazirani é raro. Cada qubit se mantém em estado puro
(sem entrelaçamento com os outros) durante toda a execução, e cada um revela um
bit de s de forma independente.
O Hadamard final é a Transformada de Walsh–Hadamard, versão discreta de Fourier sobre Z2n. Ela interfere todas as fases carimbadas pelo oráculo.
Bernstein e Vazirani apresentaram este algoritmo no STOC 1993, no artigo Quantum Complexity Theory, o mesmo que define formalmente a classe BQP1. É o predecessor direto de Simon (1994)6 e Shor (1994)7.
Registrador é hardware, qubits físicos que você toca. O BV tem 2 registradores: o principal (3 qubits) e a ancila (1 qubit). Total de 4 qubits.
Amplitude é a descrição matemática do estado do registrador, um número complexo por configuração possível. Um registrador de n qubits tem 2n amplitudes4.
Registrador principal (3 qubits) = 8 amplitudes. São essas as 8 linhas empilhadas na animação a seguir. A ancila (1 qubit) = 2 amplitudes, mostrada à direita como o par (+|0⟩ − |1⟩)/√2 = |−⟩.
As 8 amplitudes vistas no mesmo eixo. A curva dourada em brilho é a soma coerente, o que restaria se cada amplitude fosse uma onda física real emergindo do mesmo ponto.
Cada linha é um qubit ao longo do tempo. Portas atuam da esquerda pra direita.
FWHT é a sigla de Fast Walsh–Hadamard Transform — o algoritmo que decompõe H⊗n em n estágios sequenciais de O(N) operações, análogo à FFT (Fast Fourier Transform) mas sobre a base Z₂ⁿ. Cada estágio mistura pares de amplitudes com (a+b)/√2 e (a−b)/√2. Aqui aparecem os 3 estágios para 3 qubits, um por qubit — é assim que um circuito quântico implementa H⊗n.
(|000⟩,|001⟩) · (|010⟩,|011⟩) · (|100⟩,|101⟩) · (|110⟩,|111⟩)(|000⟩,|010⟩) · (|001⟩,|011⟩) · (|100⟩,|110⟩) · (|101⟩,|111⟩)(|000⟩,|100⟩) · (|001⟩,|101⟩) · (|010⟩,|110⟩) · (|011⟩,|111⟩)
(a, b) num estágio, no próximo eles viram:
(a + b) / √2(a − b) / √2
(+0.35, −0.35) vira (0, +0.50). A soma cancela, a diferença dobra.
+1.00.
(a + b) / √2(a − b) / √2
Analogia com a fenda dupla de Young, mas com 8 fontes. Cada fonte carrega a fase (−1)s·x. Escolha o formato (linear ou radial) e veja onde as ondas se somam ou se cancelam.
Cada fonte é uma amplitude αx do registrador conjunto (não um qubit individual). O tamanho reflete |αx|, a cor reflete o sinal.
As 8 amplitudes abaixo descrevem o estado conjunto dos 4 qubits físicos acima. O substrato pode ser qualquer tecnologia (transmon supercondutor, íon aprisionado, fóton). A matemática das amplitudes e a interferência resultante são invariantes10.
Detalhe raro do BV. Cada qubit permanece sempre em estado puro, nunca fica emaranhado. Cada um percorre uma rota própria.
Portas quânticas não são operações instantâneas. Cada uma é um pulso eletromagnético que faz o qubit girar continuamente na esfera de Bloch11. Escolha uma porta e veja a rotação real.
P(|0⟩) em gold, P(|1⟩) em rose. A oscilação entre as duas é a oscilação de Rabi.
No hardware real, uma porta é um pulso de micro-ondas na frequência de ressonância do qubit. O sistema absorve energia e oscila entre os dois níveis. Isso é uma oscilação de Rabi11.
Analogia. Átomo absorvendo fóton na frequência exata da transição eletrônica. O elétron oscila entre orbital fundamental e excitado. Em supercondutores (transmon), o mesmo princípio com micro-ondas em vez de fótons visíveis11.
Um oscilador só absorve energia com eficiência quando é chutado na frequência natural dele. Fora dessa frequência, o chute passa e quase nada acontece. Ajuste a frequência do driver e veja o receptor responder ou ignorar. Este mesmo mecanismo é o que faz um pulso de micro-onda excitar um transmon: só se a frequência bater com ω01.
Paralelo com o pulso quântico. A amplitude que cresce aqui quando o driver bate na frequência natural é matematicamente a mesma da oscilação de Rabi. Trocando "peso na mola" por "estado do qubit" e "amplitude mecânica" por "amplitude quântica de |1⟩", você tem o mecanismo Rabi. Ressonância é universal.
Cada coluna vertical do circuito corresponde a um passo da animação:
H⊗n (esquerda) → passo 1 · superposição
Uf (meio) → passo 2 · coice
H⊗n (direita) → passo 3 · interferência
medição → passo 4 · lemos s = s0s1s2
A ancila não recebe o Hadamard final nem é medida. Cumpriu o papel de habilitar o coice e é descartada. Todo o resultado sai pelo registrador principal.
Simon (1994)6 generaliza o mesmo sanduíche H⊗n → Uf → H⊗n e obtém separação exponencial em queries. No mesmo ano, Shor pega esse esqueleto, troca a Walsh–Hadamard pela QFT sobre ZN e transforma fatoração em problema polinomial9. Dois anos depois, Grover (1996)3 reutiliza o recuo de fase para busca não-estruturada.
O painel interativo, o circuito passo a passo, as esferas de Bloch, o butterfly do Hadamard e a cena da ressonância mecânica. Tudo aberto para leitores.
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